Centro Social Miragaia – “Consideramos esta decisão, tomada por um chefe da Igreja, inadmissível, inqualificável, intolerável e inaceitável”




As funcionárias do Centro Social da Paróquia de Miragaia consideram “inadmissível, inqualificável, intolerável e inaceitável” a decisão do bispo do Porto de encerrar um estabelecimento que apoia cerca de 200 utentes da zona histórica.

 

Numa carta aberta enviada a D. António Francisco dos Santos, manifestaram a sua indignação pela postura do bispo que quando as recebeu “mostrou-se muito solidário com a dor” de quem está prestes a perder o posto de trabalho mas cuja “diocese decidiu encerrar a Instituição pela via da insolvência, para não ter que pagar os direitos às trabalhadoras”.

“Consideramos esta decisão, tomada por um chefe da Igreja, inadmissível, inqualificável, intolerável e inaceitável”, sublinharam as funcionárias do Centro Social da Paróquia de Miragaia (CSPM), muitas delas com 34 anos de serviço e com idades entre os 40 e 60 anos, no documento a que a Lusa teve acesso.

E perguntam: “a Diocese, na pessoa do Sr. Bispo, quer encerrar a Instituição? Faça favor, mas assuma as suas responsabilidades. Assuma as dívidas para com as trabalhadoras que são as únicas que não têm qualquer responsabilidade pelo encerramento da Instituição”.

“Dos membros da Igreja esperamos lisura, correção e verdade e não demagogia mentirosa. Sr. Bispo do Porto, não tente tapar os olhos às trabalhadoras, através de comunicados à Imprensa, garantindo que os direitos das trabalhadoras estão assegurados” advertem.

Para as trabalhadoras, os seus direitos “não se resumem ao subsídio de desemprego e ao fundo de garantia salarial”, que são garantidos pelo Estado, invocando que o “teto máximo do fundo de garantia salarial ronda os nove mil euros, que é um valor inferior aos créditos que várias trabalhadoras têm em atraso”.

 

Reclamando o direito a serem “ressarcidas pela dedicação, pela abnegação e pelo trabalho desenvolvido ao longo de quatro décadas em nome da Igreja e em prol dos mais carenciados”, as 25 funcionárias que no dia 31 de agosto cessam funções no centro social consideram que a decisão da diocese vai aumentar os problemas na freguesia.




“Esta decisão da Diocese do Porto não reconhece todo o trabalho desenvolvido pelas trabalhadoras durante mais de quatro décadas e tem como consequência o empobrecimento de uma comunidade já de si empobrecida e a desgraça das trabalhadoras que vêm o seu futuro hipotecado”, acusam.

A Lusa tentou contactar a Diocese do Porto para obter uma reação à carta aberta mas não foi possível até ao momento.

 fonte: JN

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