Tengarrinha suspende carreira depois de lhe ter sido detetado um linfoma

Tengarrinha passou por clubes como FC Porto, Boavista, Chaves, Freamunde, CSKA Sofia, V. Setúbal, Santa Clara, Olhanense, Estrela da Amadora e Politehnica Iasi. O jogador de 28 anos passou ainda pela formação do Benfica

O presidente do Sindicato de Jogadores Profissionais de futebol apresentou, no Museu do Desporto, em Lisboa, o novo “projeto estruturante” de saúde mental e apelou aos jogadores que não se remetam “ao silêncio e isolamento”.

Trata-se de uma nova parceria estabelecida entre o SJPF, a Sociedade Portuguesa de Psicologia no Desporto e a Federação Portuguesa de Futebol, que pretende ajudar todos os futebolistas que sofram de perturbações mentais e não só.

“Estamos muito atentos aos problemas que afetam os jogadores. Daí o facto de já termos feito diversas parcerias com outras entidades. Precisamos de estabelecer um plano para a saúde mental do jogador”, anunciou hoje Joaquim Evangelista em conferência de imprensa.
Como embaixador deste novo projeto foi convidado Bernardo Tengarrinha, jogador que abandonou recentemente a atividade profissional, com apenas 28 anos, após lhe ter sido detetado um linfoma de Hodgkin, uma doença que tem sintomas parecidos aos da leucemia.

“Sinto-me orgulhoso por fazer parte deste projeto e de integrar a família do Sindicato de Jogadores. A partir de agora os jogadores têm um canal próprio dentro do Sindicato onde podem relatar os seus problemas mentais, contando com técnicos especializados que os podem ajudar”, sublinhou Tengarrinha, futebolista formado nas escolas do FC Porto e Benfica e que passou por diversos clubes europeus antes de terminar a carreira na equipa romena do Iasi.

De acordo com Joaquim Evangelista, Tengarrinha “será o interlocutor direto dos jogadores”, mas o Sindicato tem vários delegados e membros da direção que “farão os contactos diretos com os clubes e os atletas dentro do maior sigilo profissional”

O responsável do SJPF enumerou as causas que provocam diretamente perturbações mentais aos futebolistas que estão no ativo e que passam por finais abruptos de carreira, desemprego, salários em atraso, problemas de relacionamento com dirigentes e treinadores, divórcios litigiosos e muitas outras questões.

“Os jogadores têm tendência para se isolarem, sentem vergonha em revelar os seus problemas. Acabam por cair no isolamento e, em muitos casos, nem interagem com os familiares e amigos mais chegados”, disse ainda Joaquim Evangelista.

Segundo dados apurados pela Sociedade Portuguesa de Psicologia no Desporto, cerca de 43% por cento dos futebolistas ainda no ativo sofrem de ansiedade ou depressão, 33% apresentam perturbações do sono e 18% acusam problemas de stress.

“Os jogadores não podem ser deixados ao acaso. Precisam de mais informação e acompanhamento. A psicologia faz parte da saúde mental e humana. Se os atletas não revelarem os seus problemas, será muito complicado receberem a ajuda adequada dos técnicos”, acentuou Duarte Araújo, presidente da Sociedade Portuguesa de Psicologia no Desporto.

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