“Nós queremos que nos devolvam o Quartel de Monte Pedral”

“Escrevi hoje uma carta ao ministro da Defesa a dizer o seguinte: nós queremos que nos devolvam o Quartel de Monte Pedral. O Quartel de Monte Pedral foi cedido ao Ministério do Exército em duas frações em 1902 e posteriormente em 1920 para lá fazer um quartel de cavalaria. Não há lá cavalo nenhum”, afirmou o presidente da autarquia, Rui Moreira, na Assembleia Municipal desta segunda-feira.

O independente garantiu que no terreno com 25 mil quadrados existe apenas “um tanque de guerra abandonado com umas ervas em cima” e pediu o apoio a todas as forças políticas para reaver este terreno que, segundo o mesmo, é da cidade e não do Estado.

“Espero que todas as forças políticas nos deem força porque nós precisamos do terreno para construir casas e aquilo é o terreno mais importante que temos no Porto, principalmente numa zona da cidade completamente infraestruturada”, acrescentou.

O anúncio surgiu na sequência da interpelação do deputado do grupo municipal da CDU Artur Ribeiro. No âmbito da discussão da apreciação da atividade do município, ponto que ficou por discutir na última sessão da Assembleia Municipal, Artur Ribeiro acusou a autarquia de falta de coerência.

“Nós aceitamos gastar muito dinheiro a reabilitar o Alexandre Herculano [liceu], é uma incumbência do Ministério da Educação, nós aceitámos comprar o edifício em Azevedo e reabilitá-lo é uma incumbência do Ministério da Saúde, nós aceitamos comprar 10 viaturas para a PSP, é uma incumbência do Ministério da Administração Interna. Acho que temos que ter coerência nisto. Não podemos dizer que aceitamos várias incumbências do Estado e depois na habitação dizemos que isso é com o Estado”, argumentou.

Na resposta, o independente acusou o Estado de se aproveitar da bolha imobiliária para tentar exponenciar aquilo que tem e de não cumprir a sua palavra quando a autarquia se faz substituir ao próprio Estado, como é caso da contrapartida prometida pela construção do Centro de Saúde de Ramalde.

“O compromisso foi o seguinte: a Câmara entrega chave na mão e o Estado entrega à Câmara um terreno em Justino Teixeira onde queremos fazer um campo desportivo (…) O Centro de Saúde está pronto. Nós neste momento estamos a gastar dinheiro com segurança para evitar que seja vandalizado”, disse.

“Há uma semana falando com a nova ministra perguntei, não sabia, disse que ia saber e até hoje ainda não soube. E noutro dia telefonaram para ver se dávamos a chave para meter os equipamentos e agora entrego a chave ou não entrego a chave”, sublinhou.

Questionado ainda sobre o plano de contingência e política do município para os sem-abrigo, o autarca assegurou que o plano está pronto a ser acionado assim que necessário e revelou que a autarquia vai alargar o número de vagas no Centro de Acolhimento de Emergência, a funcionar nas antigas instalações do Hospital Joaquim Urbano, onde será também centralizada a confeção das refeições a distribuir pelos restaurantes sociais.

Rui Moreira lembrou, contudo, que este é um combate que não pode ser feito apenas pelo Porto, defendendo a necessidade de serem criadas respostas metropolitanas.

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