‘Webcams’ esgotadas no Porto com aulas virtuais e teletrabalho

Na cidade do Porto as ‘webcams’ estão esgotadas e a rutura de ‘stocks’ deve-se às aulas virtuais e ao teletrabalho impostos pela pandemia de covid-19, mas as impressoras também começam a escassear, afirmaram hoje os lojistas.

“As aulas por computador são a razão principal para termos esgotado o nosso ‘stock’ de ‘webcams’, porque as pessoas estão em casa com os filhos em aulas à distância”, explicou hoje à Lusa Miguel Vilaça, responsável do setor de informática da loja da Fnac da Rua de Santa Catarina, na Baixa do Porto.

A falta de ‘webcams’ na cidade do Porto é um “problema mundial”, porque era um “artigo que praticamente ninguém comprava” e os fornecedores, como a Microsoft, HP ou Logitech, tinham “um ‘stock’ pequeno”, refere Miguel Vilaça.

“As ‘webcams’ eram um produto em declínio. Os computadores portáteis hoje têm todos câmara e ninguém comprava ‘webcam’ e, por isso, os fornecedores mundiais não estavam preparados para a excecional procura, porque o ‘stock mundial era pequeno”, acrescenta.

Segundo Pedro Falé, diretor comercial da FNAC Portugal, houve uma “grande afluência” ao nível da procura das ‘webcams’ em todas as lojas Fnac no mês de março, “especialmente no site da Fnac”.

“A partir do dia 18 de março, quando foi decretado estado de emergência, houve uma maior procura de ‘webcams’ devido ao teletrabalho e aulas virtuais”, declarou em entrevista por escrito, referindo que, apesar de estar a haver “alguma reposição de ‘stocks’, essa reposição é “ainda parca para a procura”.

Pedro Falé acredita, todavia, que durante este mês de maio haja “uma normalização da disponibilidade de ‘stock’“.

Na Eletrónica, loja de comércio local da Rua da Alegria, no Porto, a elevada procura de ‘webcams’ e de “cabos de rede” também fez com que aqueles produtos esgotassem “dois ou três dias depois” de Portugal ter mandado fechar as escolas e pedido à população o isolamento social, recorda a proprietária do estabelecimento, Susana Alberto, em entrevista presencial.

“Tínhamos à volta de 10 ‘webcams’ em loja e foram todas nos primeiros três dias do isolamento social. Depois pedimos mais artigos aos fornecedores em Lisboa, que são os representantes da TP-Link, e também estavam esgotados”, descreve, referindo que ao dia de hoje os ‘stocks’ continuavam em rutura.

Na Aquário, loja de artigos informáticos online e que tem três lojas em Portugal – duas no Porto e uma em Braga -, as ‘webcams’ esgotaram nos primeiros 15 dias de isolamento social imposto em Portugal, porque “as pessoas ficaram em teletrabalho, com os filhos em casa em telescola”, explicou Luísa Oliveira, funcionária, referindo que há muitas encomendas online “pendentes”, porque continuam sem reposição do artigo.

Nas lojas da Rádio Popular e Worten do Porto as ‘webcams’ estão também esgotadas e a justificação dada pelos funcionários é que é por causa do “teletrabalho” e das “aulas virtuais e telescola”, declaram os empregados, sem adiantar datas para a reposição do artigo.

Fonte oficial da Worten confirmou também à Lusa que nas últimas semanas se tem verificado um “aumento significativo da procura dos equipamentos que permitem e facilitam o teletrabalho e o acesso ao ensino à distância, nos quais se incluem as ‘webcams'”.

A Worten avisa, no entando, que uma “solução prática para quando não existe momentaneamente ‘stock’ disponível do produto pretendido na loja física”, os clientes podem recorrer à loja online. “Toda a gama disponibilizada em Worten.pt pelos ‘sellers’ do Maketplace da Worten pode ser encomendada, facilmente, em qualquer loja física com a ajuda de um vendedor, para entrega no local mais conveniente para o cliente”

Outro dos artigos informáticos periféricos cuja procura aumentou igualmente neste período de combate ao covid-19 é a impressora, contam Miguel Vilaça, da Fnac, e fonte oficial da Worten.

Em declarações à Lusa, Rui Felisberto explicou que se viu obrigado a investir recentemente na compra duma impressora, porque tem três filhos, com idades entre os 17, 13 e 9 anos e todos precisavam de imprimir os trabalhos da escola que recomeçou à distância depois da Páscoa”.

O país entrou domingo em situação de calamidade, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência que começaram a 19 de março, fase em que cerca de um milhão de alunos portugueses ficou em casa com aulas virtuais e/ou em telescola.

Esta nova fase de combate à covid-19 prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância ativa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais que tenham reaberto a 04 de maio.

Portugal registou hoje 1.089 mortos relacionadas com a covid-19 e 26.182 infetados, com a região Norte a registar o maior número de mortos (623), seguida da região de Lisboa e Vale do Tejo (226), do Centro (213) Algarve (13), dos Açores (13) e do Alentejo que regista um caso, segundo dados da Direção Geral da Saúde.

A nível global, a covid-19 já provocou mais de 254 mil mortos e infetou quase 3,6 milhões de pessoas em 195 países e territórios.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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