PodLetras #3 – Sobre o Acordo Ortográfico (com Ana Maria Brito e Marta Várzeas)

No passado dia 11 de setembro, o Núcleo de Estudantes de Português teve a oportunidade de conversar sobre o Acordo Ortográfico de 1990 com a Professora Doutora Ana Maria Brito, linguista portuguesa, ex-presidente da Associação Portuguesa de Linguística e professora catedrática das áreas da Sintaxe e de Variedades do Português da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), e com a Professora Doutora Marta Várzeas, professora de Línguas, Literaturas e Culturas Clássicas também da FLUP, investigadora do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra e membro fundador da Sociedade Portuguesa de Retórica.

Com o duplo objetivo de tornar a abordagem do tema o mais descontraída e acessível possível e, ao mesmo tempo, dialogar com duas pessoas que se debruçam sobre o estudo da língua portuguesa sob perspetivas distintas – por um lado, analisando a estrutura sintática do português, as suas diferentes variedades, e por outro, trabalhando com línguas das quais o português descende e a sua literatura -, iniciamos uma interessante conversa que se estendeu por uma hora com ambas a enumerarem alguns aspetos a favor e outros aspetos contra certos pontos que constam deste documento oficial.

Julgamos haver alguma necessidade de esclarecer com o auxílio da Professora Ana Maria Brito se a legislação da ortografia da língua poderá fazer com que a própria língua sofra grandes alterações, uma vez que julgamos que algumas questões como, por exemplo, a da acentuação fazem com que a leitura, um dos meios através dos quais aprendemos a língua, e, consequentemente, a pronúncia, seja alterada. Aproveitamos ainda para perceber a quem cabe o papel de legislar sobre a ortografia da língua e as entidades a quem mais interessa ter voto nessa matéria. 

Desdobrando o duplo critério em que as convenções ortográficas se têm baseado nos últimos anos e que têm vindo a tender mais para um critério do que para o outro, pretendemos também entender junto da Professora Marta Várzeas qual é que deve ser afinal o papel a ortografia: ela deve assentar o mais possível na fonética da língua ou deve preservar a sua etimologia? 

Tendo em conta que os traços fonéticos e fonológicos são os traços que mais se refletem na ortografia da língua, tentamos perceber se considerar uma ortografia comum a todas as variedades poderia corresponder ao reflexo dos traços fonéticos e fonológicos de apenas uma variedade, deixando de lado todas as outras. 

Ao comentar-se a Base IV do AO1990, que está relacionada com o desaparecimento das tradicionais consoantes mudas, as convidadas colocam em evidência alguns problemas que surgiram com a adoção do atual acordo que não se haviam verificado durante a vigência do anterior. 

A história da língua dá-nos conta de que, de facto, há alguns aspetos que não se repercutem na melhor aprendizagem ou compreensão de algumas das palavras da língua que sofreram algum tipo de alteração, uma vez que em português se mantiveram alguns grupos consonânticos que existiam em latim, assim como se adotaram outras estratégias na longa transição de uma língua à outra.  

Esperamos que esta conversa possa trazer consigo algumas respostas e que suscite outro tipo de curiosidades ou que faça levantar outras questões relativas a aspetos da língua portuguesa nos nossos ouvintes.

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