A origem do molete

Antigamente, a atual avenida de Rodrigues de Freitas chamava-se rua do Reimão. Esta designação andava ligada ao nome de uma enorme quinta que tinha o nome do seu proprietário – um tal Gonçalo Reimão. Antes da rua havia um caminho que, “passada a gafaria dos Lázaros, ia para Campanhã“. Era limitado, então, esse caminho, pelo vasto campo de Mijavelhas, a poente; e pela quinta do Prado do Repouso, a nascente, ou seja, limitado, na atualidade, pelo campo de 24 de Agosto e pelo cemitério do Prado do Repouso. Isto é…

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A singular e trágica história da mulher-homem do Porto

Numa tarde primaveril de março de 1871, o chefe da primeira esquadra de Policia do Porto, José Ribeiro dos Santos, entrou numa taberna da rua do Bonjardim, pertencente a António Joaquim da Silva, onde foi “gentilmente“ atendido pelo caixeiro António Custódio das Neves. Além dos modos gentis do empregado, não passaram desapercebidos, à natural perspicácia do policia, os traços finos do rosto do moço e, nomeadamente, as formas bem torneadas do corpo, perfeitamente percetíveis, debaixo das roupas leves que envergava. Intrigado, o chefe de esquadra, a pretexto de querer saber…

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As portagens da ponte Luís I… para peões

A ponte Luiz I já foi uma ponte com portagem (cinco reis por pessoa) instituída, um dia depois da inauguração do tabuleiro superior, a 1 de Novembro de 1886 e que só deixariam de ser cobradas a 1 de Janeiro de 1944, ou seja, quase 58 anos depois. Por volta da segunda metade do séc. XIX, o comércio progredia na cidade do Porto. As fábricas alastravam por todo o bairro oriental da cidade, o então chamado “Bairro Brasileiro”, denominação esta por proliferarem habitações de antigos emigrantes ricos vindos do Brasil.…

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A Casa da Pedra – o local de encontro do “Grupo dos Cinco”

Numa das zonas desde sempre mais movimentadas do Porto, entre Ramalde e a zona ribeirinha, perto da Rua de Cedofeita, e fazendo esquina com a Rua da Boavista, fica a rua das Águas Férreas e a Casa da Pedra, singelo edifício urbano, em zona onde uma nascente de águas sulfúreas havia dado origem ao topónimo. No último quartel do século XIX serviu de residência ao escritor e filósofo Oliveira Martins, durante a sua estada no Porto para dirigir a construção da via férrea do Porto à Póvoa de Varzim e…

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O segredo da Fonte da Moura

” Há muito, muito tempo. Numa época em que mouros e cristãos povoavam, conjuntamente, as cercanias do Porto… As gentes do lugar olhavam num misto de incredulidade, mas também de impotência e de infelicidade, para a antiquíssima fonte. Do interior da fenda rochosa, estreita e inacessível, da qual desde sempre brotara a água que saciava a comunidade, não corria agora nenhum líquido. A fonte secara! O fenómeno, no entanto, não surpreendeu muitas das pessoas que sabiam, há já muito tempo, do segredo guardado nas entranhas desta fonte. No seu interior…

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A Maldição da Bicha Moura

Na freguesia da Madalena correu uma lenda que dava, entre o povo, pelo nome de Pedra Moura ou Bicha Moura. Uma moura infeliz ter-se-ia transformado em bicha a fim de, por via de uma falta grave, cumprir um desditoso fadário.  Esteve assim encantada nuns rochedos que se situavam no lugar do Monte Crasto, da freguesia referida.  Refere a tradição das gentes: que, no topo do rochedo, a bicha moura — que era enorme, metade mulher metade réptil  — aparecia em noites de luar, e às vezes até de dia, deixando na sua caminhada rastejante…

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Porque razão chamam tripeiros aos habitantes do Porto?

Naquele dia de mil quatrocentos e quinze, o Sol nascia sobre o rio Douro com uma estranha luminosidade. E nas margens do rio tudo se transformara num arsenal. Arsenal gigante, onde se construíam naus e barcas para uma grande aventura marítima. Aventura rodeada de mistério… Por isso mesmo, por nada se saber ao certo, os boatos multiplicavam-se, chocavam entre si, tomando por vezes foros de revelações sensacionais. E assim, nessa manhã bonita e estranha, Mestre Vaz e um dos seus ajudantes, o moço Simão, trocavam ideias e palpites, perante a atenção curiosa dos que os…

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A Lenda de Gaia – um romance escondido, uma batalha despoletada

Gaia, rainha das Astúrias (ou de Leão), mulher de D. Ramiro, aí pelo ano de 842 – 850. Bela, de aparência frágil mas sedutora, Gaia era uma escrava dos caprichos do seu rei, que apenas via nela um objecto de prazer e diversão, não tendo nenhuma espécie de respeito pelos seus sentimentos e desejos.Gaia sonha com um grande e verdadeiro amor. Longe, na margem esquerda do Douro, num alcácer (castelo) perto da foz do rio (Lugar do Castelo), habita o rei mouro Abencalão Alboazar, devoto de Allah, exímio no manejo…

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A lenda sangrenta que deu nome a Rio Tinto

Conta-nos a lenda que o rio ficou tinto (tingido) de sangue, tantos eram os corpos golpeados e caídos nas suas águas. Tinha-se acabado de travar uma brava luta entre grupos cristãos e muçulmanos, visando a reconquista da terra. Os mouros, que já haviam sido derrotados noutras batalhas, estavam desorganizados e esfomeados. A perseguição que lhes era movida pelos cristãos não lhes dava descanso. Os poucos que haviam sobrevivido estavam feridos e escondiam-se nos bosques das proximidades, tentando salvar a pele. Afirma-se que uma princesa cristã atravessou o campo da batalha,…

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Zé do Telhado, o Robin dos Bosques do Norte de Portugal

«Nem todos os criminosos têm de ser bárbaros ou sanguinários. Também existem malandros com bom coração e boas maneiras. José Teixeira da Silva era um desses malandros.» Chamava-se José Teixeira da Silva, nasceu em Recesinhos, Penafiel, no ano de 1818. De origens humildes, aos 14 anos foi viver com um tio para apreender o ofício de capador. Apaixona-se pela sua prima Ana Lentina, mas o tio não autoriza a relação. Aos 18 anos alista-se no exército, inicia a carreira militar nos Lanceiros da Rainha, na Ajuda. Combate contra os Setembristas,…

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