Companhia Aurifícia, considerada “património excecional” na Baixa do Porto, foi vendida

Ocupa 1,6 hectares em pleno quarteirão classificado da Rua de Álvares Cabral, na Baixa da Porto, e é considerada um “património excecional” pelo Estado. No mercado para venda desde 2013, a Companhia Aurifícia foi finalmente comprada, por cerca de 10 milhões de euros. Os novos donos são os irmãos Pedro e Vasco Couto, donos da Telhabel, e os investidores Gonzalo Alvargonzalez Figaredo, da Ership, e o suíço Daniel Klein, e a Câmara Municipal do Porto não exerceu o direito de preferência, apurou o idealista/news.

De acordo com a informação recolhida, junto de várias fontes do mercado imobiliário do Porto, a aquisição das ações da Companhia Aurifícia foi feita pela sociedade PVBRAGASINVEST, detida pelos donos da Talhabel e pelos dois investidores estrangeiros.

Pedro Couto, vice-presidente da Talhabel, confirmou, ao idealista/news a aquisição da Companhia Aurifícia, precisando que o processo arrancou já “no ano passado”.

“Conscientes do valor deste património e da sua da importância” para a cidade,  os novos proprietários pretendem “preservar o património da Aurífica”. Mas o gestor escusa-se a avançar de momento com mais pormenores sobre o que vai nascer no quarteirão da Aurifícia, alegando que, neste momento, “está em estudo de viabilidade de usos”.

Classificada como património excecional

A antiga indústria de pregaria, que iniciou atividade em 1864 e fechou as portas há mais de uma década, é considerada um tesouro da arquitetura industrial portuense, a Companhia Aurifícia é constituída por um grande quarteirão, localizado entre as ruas de Cedofeita, Álvares Cabral, dos Bragas e a Praça da República.

Humberto Humberto Arquitectos
Humberto Humberto Arquitectos

Em causa está um conjunto de edificado da antiga zona onde famílias da média e alta burguesia construíram moradias com características arquitetónicas preciosas foi consagrado como Conjunto de Interesse Público.

O seu interesse, como património excecional, foi reconhecido por despacho da Presidência do Conselho de Ministros, em dezembro de 2012. No despacho da Presidência salienta-se o “património excecional e que representa o exemplo mais bem preservado e coerente de uma instalação industrial dos séculos XIX-XX na área metropolitana do Porto”.

Processo emperrado há anos

A venda da Companhia Aurifícia é um processo que se arrasta há quase uma década. Sobretudo a partir de 2013, quando os acionistas maioritários – Edifícios Atlântico, família Pinto Leite e BPI -, acordaram a venda das ações da companhia, por um valor de cerca de 10 milhões de euros.

Mas só em finais de 2017 foi conhecido o interesse de alguns investidores em comprar o ativo e a concretização do negócio foi concluída em fevereiro de 2018, altura em que foram adquiridas um conjunto de ações que estavam dispersas por vários proprietários.

Pedro Couto admite que existe ainda um montante disponível destinado a adquirir os títulos válidos e que não tenham sido ainda apresentados na altura.

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Autarquia não exerceu direito de preferência

Na última década foram várias as vozes que se manifestaram sobre o interesse de preservação do património da Aurifícia. Aliás, este é um dos processos urbanísticos que, sobretudo, nas últimas campanhas autárquicas, não foi esquecido pelas diferentes listas.

A ideia que tem sido veiculada é que a autarquia deveria exercer o direito de preferência, na aquisição da Aurifícia. Contudo, tudo indica que o facto de ter sido vendida a companhia, e não os seus ativos em separado, inviabilizaria essa situação.

Esse parece ser também o entendimento da autarquia, tendo em conta a resposta do gabinete de assessoria da Câmara do Porto. À questão do idealista/news sobre “se exerceu ou não o seu direito de preferência, e as razões da sua decisão, em relação a este imóvel da arquitetura industrial portuense? A resposta foi a de que “o Município do Porto não tem conhecimento sobre a publicação de anúncio de venda do edifício da Companhia Aurifícia, na Rua dos Bragas, no âmbito do exercício de direito de preferência”.

Concurso de ideias sobre o destino a dar à Aurifícia

A Ordem dos Arquitetos, através da Secção Regional Norte, promoveu, em 2013, um concurso internacional de ideias.

A proposta vencedora foi a do gabinete de Humberto Silva e Humberto Fonseca e se fosse colocada em prática, faria com que o quarteirão ganhasse um hotel, onde hoje está um terreno usado como estacionamento, na rua de Cedofeita e uma residência para artistas em Álvares Cabral.

Humberto Humberto Arquitectos
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No perímetro interior, além de uma galeria de arte, o imenso quarteirão seria transformado num parque público, acessível por passagens ao nível do rés-do-chão dos vários equipamentos a construir.

O arquiteto diz que desconhecia a venda da Aurifícia, mas assume, porém, estar disponível para ajudar a encontrar uma solução para os novos proprietários.

Aurifícia tem dois ativos valiosos

A Companhia Aurifícia, a antiga indústria de pregaria, fundada em 1864, da qual a maioria dos portuenses conhece apenas a bonita fachada em tijolo cor de vinho na Rua dos Bragas, é detentora de dois ativos.

O ativo mais valioso é o quarteirão da Aurifícia, com uma área total de 88 846 m2, com 44 mil metros quadrados (m2) de área construída – constituída especialmente pelos edifícios industriais – e 16 mil m2 de espaço publico.

De acordo com a Unidade Operativa de Planeamento e Gestão (UOPG 9), elaborada pela Câmara do Porto, em Março de 2012, na área interior do quarteirão a área livre é de 44 mil m2 e o edificado é de 13 mil m2.

O segundo ativo é um terreno para construção na Lapa, com 22 mil m2 de área, e ao que tudo indica poderá ser transformado num projeto habitacional.

Pedro Couto destaca que também, neste caso, o “projeto se encontra em estudo de viabilidade de uso”.

(artigo original IDEALISTA/NEWS): https://www.idealista.pt/news/financas/investimentos/2018/06/26/36627-companhia-aurificia-joia-da-baixa-do-porto-vendida-a-donos-da-telhabel-e

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