Genes de mosquito alterados para dissipar genes contra a malária

A investigação pretende contribuir para o fim da malária, uma doença que em 2018 atingiu 228 milhões de pessoas.

Esta quarta-feira, um estudo publicado na revista científica eLife avaliou a alteração dos genes de um mosquito com vista à disseminação de genes antimaláricos na próxima geração da sua espécie, o que poderá ajudar a travar a malária.

O estudo, desenvolvido pelo Departamento de Ciências da Vida do Imperial College de Londres, no Reino Unido, visou a “conversão de genes endógenos do mosquito da malária em simples impulsos genéticos não autónomos, para a substituição da população”.

O objetivo da investigação foi contribuir para o fim da malária, uma doença que em 2018, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), atingiu 228 milhões de pessoas e matou cerca de 405 mil, principalmente na África subsaariana. Os investigadores Astrid Hoermann, Sofia Tapanelli, Paolo Capriotti, Giuseppe Del Corsano, Ellen Masters, Tibebu Habtewold, George Christophides e Nikolai Windbichler alteraram assim os genes intestinais de um mosquito de forma a fazê-los espalhar genes antimaláricos para a próxima geração da sua espécie.

Apesar de reconhecerem que “as unidades genéticas para a substituição da população de mosquitos são instrumentos promissores para o controlo da malária”, os autores ressalvam que, actualmente, “não existe um caminho claro para testar com segurança tais instrumentos em países endémicos”. “A falta de promotores bem caracterizados para tecidos relevantes para a infecção, além de obstáculos regulamentares, é outro dos obstáculos à sua concepção e utilização”, apontam os autores no estudo, que foi financiado pela Fundação Melinda e Bill Gates.

Os cientistas exploraram a forma como alterações genéticas mínimas dos genes endógenos dos mosquitos podem convertê-los diretamente em unidades genéticas não autónomas, sem perturbar a sua expressão. “Mostrámos pela primeira vez como os traços de condução genética sem marcadores podem ser construídos no mosquito da malária”, lê-se no artigo científico. Ou seja, um dos genes funcionais do mosquito é utilizado e modificado para produzir as moléculas antimaláricas. Mas, mesmo que esta modificação seja transmitida à descendência do mosquito, isso só acontecerá a alguma da descendência dos mosquitos.

FONTE: Público

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