Biólogo Luís Ceríaco ganha bolsa da National Geographic

O biólogo português, com este apoio, organizará uma expedição a Angola, à Serra da Neve, um oásis de vegetação na savana.

O biólogo Luís Ceríaco, que é curador-chefe do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, recebeu uma bolsa de explorador da National Geographic Society para conhecer a biodiversidade da Serra da Neve, em Angola. Sobre o prémio, o mesmo confessa: “Claro que o dinheiro ajuda, mas ter a chancela da National Geographic Society a apoiar um projecto dá outro prestígio”, comenta o biólogo. 

Localizada na província do Namibe, a Serra da Neve é o segundo pico mais alto de Angola, com 2489 metros de altitude (o mais alto é o Morro do Moco, na Província do Huambo). Além de alta, esta serra é também grande, ocupando aproximadamente 630 quilómetros quadrados.

A Serra da Neve é o que geólogos e geógrafos designam por um “monte-ilha” (do alemão inselberg), emergindo abruptamente da paisagem que está à sua volta. Encontra-se coberta pela vegetação da floresta de miombo – um tipo de floresta caracterizada pela presença de árvores dos géneros Brachystegia e Julbernardia, sendo dos tipos de habitat mais comuns em Angola, na Zâmbia e no Zimbabwe, entre outros países. Contrasta com a aridez das savanas circundantes da floresta de mopane – um tipo de floresta mais esparsa, típica de zonas secas como o Sul de Angola, a Namíbia e o Botswana, em que as árvores da espécie Colophospermum mopane são dominantes.

Para os biólogos, o oásis de vegetação do monte-ilha que é a Serra da Neve desperta bastante interesse porque, estando isolado de outras montanhas, essa circunstância permite ali a evolução de espécies únicas. “O isolamento geográfico e ecológico, a fauna e flora por estudar e a descoberta de espécies endémicas transformam a Serra da Neve num local muito promissor para os cientistas”, reforçam num comunicado da Universidade do Porto.

A bolsa da National Geographic Society atribuída a Luís Ceríaco, agora, permitir-lhe-á fazer um levantamento exaustivo na Serra da Neve de vários grupos taxonómicos de plantas, insectos, mamíferos, aves, anfíbios e répteis. O biólogo já tinha estado em duas visitas de campo exploratórias na Serra da Neve, em 2016 e 2019. Daí resultou já a descrição de três novas espécies para a ciência: o sapo-pigmeu Poyntonophrynus pachnodes, de 31 milímetros de comprimento e cuja característica mais distintiva é a ausência de ouvidos; o lagarto-espinhoso Cordylus phonolithos; e a osga Lygodactylus baptistai (osga-diurna-de-baptista). 

FONTE: Público

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