Só de janeiro até abril, houve mais greves do que em todo o ano de 2020

Em 2020, o número de greves caiu para menos de metade. Contudo, apenas nos primeiros quatro meses deste ano, já houve mais pré-avisos de greve do que em todo o ano anterior.

O ano de 2020 foi atípico a muitos níveis. A pandemia da covid-19 trouxe novos problemas de saúde, mas também laborais, novas reivindicações que não puderam ser feitas na rua e com greves como habitualmente. Na verdade, pode dizer-se que os sindicatos da função pública (tal como os portugueses) também confinaram. Os dados oficiais mostram que (tal como vários concelhos portugueses) os sindicatos também já começaram a desconfinar. Mas passemos aos números.

Em 2020, houve 180 pré-avisos de greves, segundo os dados da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP), sendo que não houve nenhuma greve geral (chegou a estar prevista uma para Março que foi desconvocada), o setor da saúde não paralisou e a maior parte das greves (todas elas setoriais) realizou-se na área da educação (educadores de infância e ensino básico e secundário) ou na área de oficiais de justiça e guardas prisionais. Ora, estes 180 pré-avisos de greve representam menos de metade dos que houve no ano anterior: em 2019, a DGAEP registou 404.

Nos primeiros quatro meses deste ano, deram entrada 193 pré-avisos de greve, todos da área da educação (uma vez mais), promovidos pela Fenprof e pela Associação Sindical de Professores Licenciados, o que significa que o número de 2020 já foi ultrapassado e, também, neste campo da contestação sindical o mundo parece estar a voltar à antiga normalidade.

O coordenador da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública (CGTP), Sebastião Santana, confirma essa leitura. “O nível de responsabilidade e de exigência connosco próprios manteve-se e isso foi notório nos casos dos serviços públicos essenciais que foram postos à prova com esta pandemia. Não era o momento adequado”, afirmou, explicando que adotaram “outras formas de luta baseadas nas estruturas como concentrações ou manifestações e frente aos ministérios”.

“Continuámos a luta dessa forma. Não é nem nunca foi nossa intenção prejudicar as populações”, acrescentou, admitindo que a situação agora já mudou: “Estando numa fase de desconfinamento e de alívio sobre estas pessoas que asseguram os serviços essenciais, a luta vai retomar”. Um dos exemplos é a greve de dia 20 de Maio convocada pela Frente Comum e que, “à partida”, vai abranger todas as áreas da administração pública, à exceção da saúde.

FONTE: Público