FC Porto 2-0 Bayer Leverkusen | Crónicas da Bola

O FC Porto bateu o Bayer 04 Leverkusen por 2-0!

Era uma jornada importantíssima para as contas do grupo B, já que os dragões ainda não tinham pontuado na prova, enquanto os alemães tinham três pontos, que foram conquistados frente ao Atlético de Madrid.

Em relação à vitória caseira com o SC Braga, Sérgio Conceição promoveu apenas uma alteração: João Mário rendeu Rodrigo Conceição, no lado direito da defesa. Assim, foi um onze idêntico ao utilizado frente ao SC Braga e a estrutura foi a mesma: um 4-4-2 losango, com Pepê atrás de Evanilson e Taremi.

Já Gerardo Seoane fez três mexidas, em relação à goleada sofrida frente ao FC Bayern de Munique (4-0): entraram Piero Hincapié, Charles Aránguiz e Adam Hlozek para os lugares de Kossounou, Mitchel Bakker e Demirbay. A equipa alemã alinhou num sistema de 4-2-3-1, com Frimpong a lateral direito, Moussa Diaby como extremo direito, Hudson-Odoi na esquerda e a jovem promessa de 20 anos, Adam Hlozek, no corredor central como médio ofensivo, atrás de Patrik Schick.

O FC Porto até entrou mal no jogo. Muito errático, nervoso, ansioso e precipitado e o Bayer Leverkusen, mesmo sem espantar, até conseguiu marcar, por intermédio de Callum Hudson-Odoi, aos 16 minutos. Era uma questão de coerência com o que estava a acontecer com a equipa portista. Felizmente, para a equipa portuguesa, o golo foi anulado por falta sobre Pepê no início do lance. Ainda assim, nesta fase o ascendente era germânico, a formação forasteira explorava os três corredores, com várias arrancadas, com especial incidência no direito, onde estavam Moussa Diaby e Frimpong, dois jogadores muito velozes.

Nestes minutos iniciais, a dupla Uribe e Stephen Eustáquio falhavam mais passes do que o habitual e não conseguiam fazer a ligação com Pepê e Taremi, demasiado escondidos no duplo pivô dos alemães, que, desta vez, contaram com o experiente Aránguiz em campo.

O dragão “acordou” e passou a ser mais paciente e menos precipitado, trocando mais a bola, mas sem jogar no risco. Uma “bomba” de Uribe ao minuto 40 foi travada por Hradecky e deu sequência a um período louco até ao intervalo, de parada e resposta. Aos 42’, numa das raras vezes que o FC Porto conseguiu sair com espaço, chegou um golo desenhado com grande perícia por Pepê, Evanilson e Taremi, que o concretizou, mas o grande contra-ataque portista foi posteriormente anulado, pois foi assinalada uma grande penalidade por mão na bola de David Carmo, no início da jogada. Da marca dos 11 metros, Patrik Schick voltou a não levar a melhor no frente-a-frente com Diogo Costa, tal como tinha ocorrido há cerca de dez dias quando Portugal defrontou a Chéquia. Grande e importantíssima defesa do guardião portista, que fez o Dragão entrar em ebulição!

Nem Wendell, nem João Mário foram muito participativos nos momentos de ataque, pois as cautelas defensivas eram necessárias, mas essas participações eram necessárias, pois o jogo exterior da equipa portista estava a ter bem melhor resultado do que o interior. Aliás, penso que o “ouro” até podia estar numa subida de João Mário para o ataque, até porque o poderio físico germânico impedia o jogo interior.

O nulo no marcador permanecia ao intervalo, mas, pelos últimos dez minutos da primeira parte, o jogo merecia outro colorido no marcador.

O intervalo foi bom conselheiro para os azuis e brancos, que voltaram dos balneários mais organizados, intensos, criativos e começaram a arriscar mais no último terço. Isto tudo porquê? Porque entrou Otávio, pois claro. Ao intervalo, o luso-brasileiro entrou para o lugar de Bruno Costa e o jogo foi logo outro. Havendo Otávio, há sempre um FC Porto melhor. Pela presença, pela entrega, pela garra, pela visão alargada, pela técnica que lhe permite materializar com grandes passes o facto de ver mais, melhor e sempre à frente dos outros. Não precisou de correr muito (ainda limitado também) para colocar desde logo a equipa a correr melhor.

Os avisos foram-se sucedendo até que, aos 62 minutos, Sérgio Conceição lançou Zaidu e Galeno no jogo, e a dupla foi determinante no triunfo portista. Sete minutos depois, surgiu o primeiro tento. Jogada coletiva fantástica do FC Porto. Pepê e Eustáquio fugiram às amarras adversárias, Galeno acelerou, Taremi cruzou de forma exímia para Zaidu cabecear ao segundo poste para o 1-0.

Com o Bayer Leverkusen a tentar chegar ao empate, chegou o 2-0. Aos 87’, Galeno apareceu de fora para dentro e recebeu um passe de rotura de Taremi, fazendo assim o segundo para o FC Porto.

Instantes depois, Frimpong ainda viu o segundo amarelo e consequente vermelho, após falta sobre Galeno. E o resultado até poderia ter sido mais amplo não fosse o desacerto de Otávio já no último suspiro da partida, após uma bela jogada coletiva da equipa portista.

Vitória inteiramente merecia do FC Porto que assim continua a lutar por uma vaga nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. O Bayer Leverkusen até começou por ser a equipa mais atrevida e perigosa, mas a grande penalidade defendida por Diogo Costa à beira do intervalo, deu alento aos dragões, que melhoraram muito na segunda parte, até porque Otávio entrou e o FC Porto com Otávio é outra coisa. Sérgio Conceição apostou todas as fichas em Zaidu e Galeno, que entraram e foram determinantes no desfecho do jogo.

𝐍𝐨𝐭𝐚 𝟏𝟎: Mehdi Taremi. O iraniano fez duas belíssimas assistências que contribuíram e muito para a primeira vitória do FC Porto nesta edição da Champions e, tal como Diogo Costa, que defendeu uma grande penalidade em cima do intervalo, foi absolutamente decisivo para o desfecho do jogo.

𝐑𝐞𝐦𝐚𝐭𝐞 𝐚𝐨 𝐥𝐚𝐝𝐨: Patrik Schick. O ponta de lança checo teve nos seus pés, através de uma grande penalidade, a oportunidade de colocar a sua equipa em vantagem no marcador, mesmo em cima do intervalo, mas Diogo Costa, com uma grande defesa, impediu que tal acontecesse. No resto do jogo, também esteve muito apagado, sem conseguir ameaçar a baliza adversária com algumas oportunidades que teve.

Exibição inteligentíssima do FC Porto!

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Texto de Raúl Saraiva

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