República Checa 0-4 Portugal | Crónicas da Bola

Portugal deslocou-se à Chéquia a saber que uma vitória, independentemente do resultado do outro jogo do grupo (Espanha – Suíça), mantinha em aberto a luta pelo primeiro lugar e, consequentemente, pelo apuramento para a final four da Liga das Nações.

A Chéquia tinha vencido a Suíça e criado dificuldades à seleção espanhola, mas parece ser um adversário com quem Portugal consegue retirar o melhor de si. Tal como na primeira volta, a equipa orientada por Fernando Santos teve uma exibição bem conseguida em Praga e não vacilou.

Fernando Santos não promoveu grandes alterações no onze inicial. A titularidade de Diogo Dalot era esperada, tendo em conta a ausência de João Cancelo por castigo, enquanto a escolha de Mário Rui foi talvez a mais surpreendente. E a verdade é que os dois laterais fizeram exibições muito positivas, embora bem diferentes entre si.

Na frente, claro, Cristiano Ronaldo. O avançado prometeu, na gala Quinas de Ouro 2022, mais “carga do Cris”, mas foi ele a ficar marcado por uma carga de Vaclík, ainda numa fase inicial da partida. O capitão da seleção nacional ficou mesmo com o nariz inchado e a sangrar. Um rosto pouco habitual para uma exibição também ela longe do normal.

Pouco eficaz em quase todas as suas ações, Cristiano foi desperdiçando boas oportunidades para Portugal, mas o rendimento da equipa portuguesa dava bons sinais a Fernando Santos. Bernardo Silva e sobretudo Bruno Fernandes começaram a aparecer cada vez mais e Dalot ganhou espaço para procurar zonas mais adiantadas do terreno, mostrando uma versão mais próxima daquela que teve durante anos nas seleções mais jovens.

Na Chéquia faltaram sempre argumentos. Apesar do importante regresso de Patrik Schick, a equipa da casa apenas criou perigo no arranque da partida, por intermédio de Barák, mas Portugal conseguiu tomar conta do jogo e partiu para uma exibição e resultado convincentes.

O golo português adivinhava-se e depois do desperdício de Cristiano, lá apareceu Dalot para se estrear a marcar, ao minuto 33. O lateral iniciou e concluiu a jogada, que teve participação de Bernardo Silva e assistência de Rafael Leão. Estava inaugurado o marcador.

Aos 45+2’, Bruno Fernandes rematou com êxito e ampliou a vantagem, após um belo cruzamento de Mário Rui. Ainda antes do intervalo, os checos beneficiaram de uma grande penalidade, após mão na bola de Cristiano Ronaldo. Porém, Patrik Schick atirou por cima da barra da baliza defendida por Diogo Costa e Portugal foi para o intervalo a vencer por 0-2. Final de primeira parte muito positivo para a seleção das quinas.

A verdade é que ainda havia 45 minutos por jogar e Portugal continuou o seu domínio, ainda que a um ritmo mais baixo. Assim, o segundo tempo começou com o lance que praticamente fechou as contas do jogo. Aos 52 minutos, Dalot bisou na partida, depois de fletir para o meio e, de fora de área, com o pé esquerdo, rematar colocado para o 0-3. Um golaço!

Este tento ajudou a equipa portuguesa a relaxar, mas o pouco que a Chéquia conseguiu produzir e, sobretudo, aquilo que Portugal mostrou foram bons sinais para o jogo com a Espanha e até para o Mundial 2022, no Catar, que está aí à porta.

Com o jogo totalmente controlado, Fernando Santos procurou evitar dissabores e, perante os oito jogadores em risco, acabou por fazer várias alterações e conseguiu cumprir esse objetivo, que passaria por não ter ninguém castigado para o jogo com a Espanha, que até perdeu frente à Suíça (1-2), deixando a seleção portuguesa a precisar apenas de um empate para se apurar para a final four da Liga das Nações.

A fechar, ainda houve tempo para o 0-4, da autoria de Diogo Jota, que, após um canto da direita do ataque, aproveitou um desvio de Ronaldo ao primeiro poste, e cabeceou para o fundo das redes da baliza da Chéquia.

Com esta goleada na Chéquia, Portugal sobe ao primeiro lugar do grupo 2 da Liga das Nações e mantém em aberto a luta pelo apuramento para a final four da competição, com a Espanha, adversário na última jornada desta fase da prova, na próxima terça-feira, dia 27 de setembro.

𝐍𝐨𝐭𝐚 𝟏𝟎: Diogo Dalot. Ainda não tinha marcado qualquer golo com a camisola da principal seleção nacional, mas fez uma grande exibição e abriu a conta com um par de tiros certeiros. Em particular, destaque para o segundo golo do lateral formado no FC Porto, o terceiro de Portugal, que foi conseguido com um remate colocado, de pé esquerdo, ainda fora da área adversária. Notável!

𝐑𝐞𝐦𝐚𝐭𝐞 𝐚𝐨 𝐥𝐚𝐝𝐨: Cristiano Ronaldo. Infelizmente, Cristiano está claramente numa fase sem confiança. Desperdiçou uma ocasião flagrante, cometeu uma grande penalidade, mas salvou-se pela assistência, de cabeça, para o golo de Diogo Jota.

Grande exibição da seleção nacional!

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Texto de Raúl Saraiva

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